
Invejo os corvos.
Vultos temidos da noite. Mau agouro para alguns, símbolo de prosperidade para outros.
São eternizados por poetas, marcados na pele por vários, e são motivo de fascínio de muitos como eu. Além de tudo, voam, podem subir aos céus à noite sem medo, e pela manhã chamam mais atenção ainda. Um corvo já olhou em seus olhos? nos meus nunca. Mas quero olhá-los, quero um corvo para mim, bem. Quero ser um corvo. Quero que a noite se confunda comigo, quero poder voar, nunca mais tocar o chão.
nunca mais
nunca mais
nunca mais.
E os corvos, que nem sabem que existimos, levantam vôo à luz da lua e continuam a nos assombrar.