
Faz tempo que eu escrevi isso num pedaço de papel-toalha, de um hotel no rio, quando eu viajei pra lá. Tinha assitido a um filme que meio que me inspirou um pouco. Enfim, estava afim de postar e então achei o bendito papel. Aqui vai então.
--"-----"--
Meus olhos piscam. Duas, três vezes.
Me asseguro de que o chão frio não vai faltar comigo me levanto,
aos poucos, claro,
porque as paredes querem me sufocar.
Eu não lembro como eu sou, eu não sei como meu rosto está.
Eu lembro sim. Lembro...
A quanto tempo estou aqui?
sei que se parrou tempo suficiente para o tédio virar medo.
Rápidamente, um vulto.
ratos atravessam o chão ávidamente, e me chamam para brincar com eles, não é? às vezes, sinto que eles me amam. Os ratos.
Deus não se esqueceu de mim, ele apenas não precisa fazer nada por alguém que não merece. Deus está a me olhar, e talvez ele sorria para mim.
O sos sim, esse se esqueceu de mim. Dias eu passo sem dormir, ou horas, não sei.
Quem sabe eu mesmo espantei o sono, com medo de não acordar.
Me deito mais uma vez, e rio.
Rio da vida, sabe? rio de mim, de todos, agora tão perto, e tão longe.
Rio das nuvens voando no céu, despreocupadas.
E eu vou com elas, claro, e acho que fecho os olhos.
Eu sou nuvem também.
eu sou um peixe grande no mar gelado.
Sou uma agulha girando sem parar dentro de uma bússola.
Eu spu toda a existência, e o progresso dela.
Aqui eu termino, e todos continuam por mim.
Daniel Cardoso
Nenhum comentário:
Postar um comentário